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CHICO BUARQUE, A NATA DA MALANDRAGEM
Dando seqüência à lista das melhores músicas de Chico Buarque, UNCOOL veste o chapéu e o terno branco e afia a navalha: este é o grupo dos sambas do malandro, figura constante da obra do intelectual de criação paulista que aderiu tão bem aos botecos e à ética decadente da Lapa (a do Rio). Dois deles fazem parte da "Ópera do Malandro", obra-prima do teatro e da música nacional. Os outros são da mesma safra; pertencem àquele período entre 1977 e 1982, quando Chico Buarque aparentemente bebeu por uma vida toda, andou com as pessoas erradas e ainda usou a dissipação como combustível para mais uma faceta brilhante.

O malandro na capa da VEJA, em agosto de 1978.
5- O Meu Guri – a narradora, favelada e mãe de um delinqüente, recusa-se a entender que o filho é meliante. Orgulhosa, ela conta que o filho trabalha duro, sempre lhe traz presentes (como "uma bolsa, já com tudo dentro (...), uma penca de documento, pr’eu finalmente me identificar"), e ainda sai no jornal ("chega estampado na manchete, com venda nos olhos, legenda e as iniciais..."). Há quem critique a opção do autor por fazer elegia da vagabundagem ou algo assim, mas isso é coisa de gente sem sensibilidade artística. Assim como em "Crime e Castigo" ou em tantos filmes do Woody Allen, a falhabilidade da natureza humana é mais importante como matéria-prima para a arte do que como assunto de polícia. – Álbum: Almanaque (1982)
6- Doze Anos – com o autêntico sambista de morro Moreira da Silva, Chico relembra a pré-adolescência. Tudo nessa música é bacana, mas a atividade preferida lembrada pelos cantores é "dar banda por aí, fazendo grandes planos e chutando lata." Moleque é isso aí, faz "grandes planos" enquanto solta pipas, olha fechaduras e joga futebol de botão. É evidente o estado etílico de ambos os cantores. – da Ópera do Malandro (1978)
7- Homenagem ao Malandro – hino absoluto da Lapa. Deve ser tocada toda noite no Carioca da Gema, no Rio Scenarium e em todos os vizinhos. A letra fala por si só. (E ainda dá malandramente um tapa na cara da ditadura, relativizando o que é ser malandro pra valer.) – da Ópera do Malandro (1978)
8- Feijoada Completa – "mulher, você vai gostar... tô levando uns amigos pra conversar!" – e começa o inferno da mulher. Pratos colocados no chão, cerveja gelada prum batalhão, caipirinha e instruções detalhadas de como preparar a feijoada. Exercício de um gênio brincando de fazer música. E vamos botar água no feijão! – Álbum: Chico Buarque (1978)
Próxima sessão: o cronista da vida brasileira. Política, pobreza, convenções da classe média, o Carnaval, tudo é assunto – e ao mesmo tempo.
Escrito por Ricardo Garrido às 18h23
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CHICO BUARQUE E OS RELACIONAMENTOS
Dando início à lista das 43 melhores músicas de Chico Buarque de Hollanda, UNCOOL lista quatro obras-primas sobre relacionamentos. Em comum, apenas o que elas têm de singelas e precisas. Uma trata de platonismo em um mundo de sonhos, a outra de uma separação carregada de realismo; a terceira apela para a ironia, enquanto disseca os mecanismos da traição; já a quarta é um amor perfeito e equilibrado – à sua maneira. E as maneiras de Chico Buarque são sempre inesperadas.
1- As Vitrines – poesia em que o narrador, anônimo, nutre paixão platônica por uma grã-fina que faz suas compras nas lojas chiques de, digamos, Ipanema (parte da minha própria fantasia, perdoem). Entre uma sessão de cinema e uma parada na frente das vitrines, é atingida a perfeição: "Na galeria, cada clarão é como um dia depois de outro dia abrindo um salão / Passas em exposição" – e o verso mais incrível: "Passas sem ver teu vigia catando a poesia que entornas no chão..." Foi tema de abertura de novela "Sétimo Sentido", com Regina Duarte e Francisco Cuoco. – Álbum: Almanaque (1982)
2- Trocando em Miúdos – a melhor música sobre separação de todos os tempos. Amarga ("Vou lhe deixar a medida do Bonfim / não me valeu"), apelando para o cinismo ("Aliás, aceite uma ajuda do seu futuro amor pro aluguel... Devolva o Neruda que você me tomou – e nunca leu"), a canção tenta manter a compostura. "Mas devo dizer que não vou lhe dar o enorme prazer de me ver chorar" – mas, aí, exatamente no "de me ver", ele soluça sutimente, como se estivesse chorando. Uma letra realmente perfeita e triste, acompanhada de melodia adequadamente perfeita e triste. Curiosidade para os amigos: esta é a música preferida da Louise. – Álbum: Chico Buarque (1978)
3- Mil Perdões – ainda na linha da separação (ou do caminho que um dia deságua nela), vem essa sensacional racionalização do processo de quebra de encanto em um relacionamento, traição e conseqüente fim da linha. "Te perdôo por fazeres mil perguntas que, em vidas que andam juntas, ninguém faz". E é só o primeiro verso. Ao longo da música, passeios demorados, brigas e noitadas surgem naturalmente e com grande elegância. No final, a ironia é inevitável: "Te perdôo por chorar quando choro de rir / Te perdôo por te trair..." Uma canção menos conhecida e absolutamente indispensável. – Álbum: Chico Buarque (1984)
4- Ela é Dançarina – esta é a do amor perfeito. O narrador é um funcionário público, daqueles que abrem o guichê da repartição. Sua esposa é dançarina de cabaré. "O nosso amor é tão bom, o horário é que nunca combina... Eu sou funcionário, ela é dançarina". O casal não reclama da rotina; do armário do funcionário salta serpentina; com expedientes trocados, eles mal se encontram. Meu verso preferido é o sonoro: "Quando eu tchum no colchão, é quando ela tchan no cenário... eu sou funcionário, ela é dançarina." Mas, no final, tudo bem: há esperança. "Quando em 2001, se eu juntar algum, eu peço uma licença e a dançarina, enfim, já me jurou que faz o show pra mim..." – Álbum: Almanaque (1982)
Amanhã, os melhores sambas do Malandro Chico Buarque.
Escrito por Ricardo Garrido às 22h08
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CHICO BUARQUE, HERÓI DE UNCOOL
Às vezes, nos esquecemos de falar o que é mais importante. Aproveitando que agora nunca é tarde demais, falo o essencial: Chico Buarque de Hollanda é um dos heróis deste blog.
Acredito, sem medo de exagerar, que se trata de um gênio, alguém do nível de um Machado de Assis, de um Shakespeare, de um Da Vinci. E o é sem nenhuma arrogância, sem ser autoimportante, sem ficar usando sua posição para dar opinião sobre tudo e se vestir de intelectual (que no fundo é). Sua obra foi construída através de passeios no Leblon, muitas horas de bar, jogos de futebol do Polytheama, outras tantas horas de Maracanã, (certamente) muitas mulheres e muito tempo trancado em casa inventando os personagens e mundos fascinantes, nos quais nos enxergamos errando e acertando, encontrando dignidade nas nossas próprias imperfeições – afinal, não se pode se levar tão a sério assim.

Chico enrolado na bandeira da Mangueira, enquanto canta "Deixe a Menina", durante show da turnê "Carioca", em setembro de 2006. Uncool estava lá, na primeira fila, apanhando da mulherada para ver o ídolo de perto.
Por tudo isso, UNCOOL repara seu erro histórico e passa a publicar, a partir do dia 19 de março (segunda-feira), a coleção "O Melhor de Chico Buarque". Listaremos as 43 canções essenciais do Carioca. Acredite, não foi fácil chegar nessas 43. Há espaço para outras cinqüenta. A cada dia, serão publicados pequenas resenhas de três músicas.
As músicas virão divididas em blocos temáticos: haverá espaço para o malandro, que insiste em viver no Rio de Janeiro da década de 40; haverá espaço para mulheres que sofrem, que se submetem aos desmandos dos malandros, que dançam e atuam e deixam os homens fascinados; haverá espaço para o cronista do subúrbio, com suas histórias de tragédias e erros sucessivos. E teremos ainda o irônico driblador da censura, brincando com palavras e usando a falta de liberdade como inspiração para compor libelos com dois ou três significados.
Não perca! Segunda-feira começamos, em grande estilo, com As Vitrines, Trocando em Miúdos e Mil Perdões!
Escrito por Ricardo Garrido às 20h53
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Em tempo...
Bem, quando dei meus palpites para as 18 categorias mais importantes do Oscar, afirmei que acertaria os vencedores com 70% de segurança. Acertei 67% dos palpites que dei. Isso significa, se é que significa algo, que errei tudo o que eu corria o risco de errar.
Mas me orgulho de ter acertado os Oscars de roteiro e montagem para Os Infiltrados, o de roteiro original para Pequena Miss Sunshine, o de canção para Uma Verdade Inconveniente (quando todo mundo dava de barbada que Dreamgirls venceria) e os de direção de arte e maquiagem para O Labirinto do Fauno. Irrito-me em ter errado fotografia, pois eu sabia que A Dália Negra não tinha chances (embora ainda seja meu preferido naquele quesito).
E alegro-me em ter apostado minhas fichas no Martin Scorsese, mesmo sem grande convicção.
E me lembro do ano passado, quando fiquei solitariamente torcendo por Match Point, do Woody Allen, que nem concorria a melhor filme.
Fecha parêntesis.
Escrito por Ricardo Garrido às 19h07
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“O LABIRINTO DO FAUNO”, de Guillermo del Toro
Este é o filme que enganou todo mundo. O cartaz, o nome, a sinopse e os três Oscars que ganhou há duas semanas sugerem mais um filme de fantasia, algo na linha Nárnia ou mesmo O Senhor dos Anéis. Algo que possa ser visto por crianças. O Labirinto do Fauno... Uma menina que se alterna entre a realidade familiar nada animadora (a mãe, grávida e adoecida, acaba de se casar com um capitão fascista na Espanha da década de 40, um sujeito tão mau que até o Franco ficaria assustado) e um mundo sob a superfície, do qual ela descobre ser legítima herdeira – bastando, para subir ao trono e abandonar sua condição mortal e triste, cumprir algumas provas impostas pelo fauno do título... sua sobrinha poderia assistir, certo?
A parte fantasiosa do filme entrega o que promete: um mundo fantástico muito bem fotografado e que provoca fascinação e arrepios em crianças e adultos. Já a parte realista do filme, com sua trama de rebeldes comunistas escondidos nas montanhas e com a violência explícita do tal capitão, deve ter provocado muitos abandonos de sala pelos Cinemarks afora. Essa surpresa, confesso, também me pegou, e não gostei muito de O Labirinto do Fauno enquanto lhe assistia. A bem da verdade, fiquei um tanto chocado com bocas sendo rasgadas e costuradas, com rostos sendo destruídos por coronhadas, com o terror que é imposto à adorável garotinha espanhola e aos espectadores.
Mas, durante os dias seguintes (e mantendo a progressão durante as semanas seguintes), fui ficando com O Labirinto do Fauno na cabeça, pensando no filme, lembrando de sua beleza visual, entendendo o contraste entre o mundo real e violento onde a protagonista é obrigada a viver e a fantasia que lhe serve de escape. E concordando, enfim, que o autor (o mexicano Guillermo del Toro) poderia ter optado em construir uma fábula à moda de A Vida é Bela (o filme do italiano Roberto Begnini que mostra um pai protegendo seu filho em um campo de concentração durante a II Guerra Mundial), mas preferiu – e com razão – não relativizar o horror. O fascismo e o nazismo foram feios demais para serem retratados como algo menos horroroso do que a realidade. Assim, o capitão fascista de del Toro não tira o pé do acelerador um minuto; é escroto e mau em tempo integral e intensidade máxima. Com isso, O Labirinto do Fauno se junta a outras grandes obras sobre a Guerra Civil espanhola, como a Guernica de Picasso e o romance Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway. Nenhum dos três tem medo de ofender, incomodar, horrorizar. É um filme sobre e para adultos, enfim.
E a cena final é tão tocante, triste e bela quanto o último capítulo de Por Quem os Sinos Dobram. Mais não posso falar, pois não quero estragar o prazer de quem ainda não viu ou leu as obras de arte em questão. Assista a O Labirinto do Fauno. E espere pelo menos dois dias para reclamar. Deixe o filme (e a inquietação) crescer dentro de você, e então você se descobrirá um tanto mais triste, mas também mais adulto.

OK, o cartaz engana, mas não desista assim tão fácil de "O Labirinto do Fauno",
Escrito por Ricardo Garrido às 17h42
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Eddie Van Halen no fim da linha
Que coisa triste é ver seus heróis murchando aos poucos.
Eddie Van Halen, o maior guitarrista vivo do mundo, vem patinando na vida e na carreira durante os últimos onze anos. Desde a saída de Sammy Hagar, o Van Halen parou de lançar discos, recrutou e demitiu um vocalista risível, passou por pelo menos três reuniões que não decolaram (1996, com David Lee Roth; 2004, com Sammy Hagar; e agora, novamente com Lee Roth)... E viu seu genial líder descer a ladeira. Eddie se afundou na bebida, se separou da mulher, brigou com todos os membros que já passaram pela banda (menos seu irmão Alex, que só permanece quieto ao seu lado por questões de sangue).
O último trabalho de Eddie, guitarrista mais influente do mundo desde Jimi Hendrix, foram duas músicas gravadas como trilha sonora de um filme pornô.
Uma alardeada turnê de retorno da banda original (com o filho de quinze anos de Eddie no lugar do baixista original, Michael Anthony, também expulso), que prometia ser o grande evento musical do verão americano de 2007, acaba de ser cancelada. O motivo: Eddie Van Halen acaba de se internar numa clínica de reabilitação para alcoólatras.
Melhor para Eddie, que se tornou uma piada de si mesmo. O que Eddie Van Halen significa para a música e para mim: juventude, diversão, leveza, perfeição, irreverência, simpatia. Bem diferente do bêbado deformado que só faz gerar fofocas sobre seus (ex-)colegas de banda.
 
À esq.: Eddie hoje, claramente debilitado. À dir.: em 1993, com uma cara mais saudável, com músicas de sucesso tocando no rádio, shows lotados e faturando uma grana com sua linha de amplificadores.
Por mim, chega de crer nas voltas do Van Halen. Minha banda preferida continuará vivendo apenas no som do carro, em suas incríveis gravações de estúdio e de shows, em duas encarnações tão diferentes musicalmente e tão igualmente encantadoras. "Jump" e "Dreams" continuam sendo a melhor maneira de apresentar Van Halen em dez minutos a ouvidos virgens.
Dez minutos de barulho para Eddie.
Escrito por Ricardo Garrido às 19h21
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Frase do Blog dos Outros...
"Martin Scorsese é muito maior do que o Oscar."
Ricardo Calil, em seu blog (http://olhaso.nominimo.com.br/), também feliz e comovido com a festinha de amigos no final da entrega do Oscar 2007
Escrito por Ricardo Garrido às 19h10
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UM MOMENTO HISTÓRICO...
A idéia deste Blog é justamente não fazer pose, não ser esnobe, assumir a delícia que é assistir filmes, ler livros, ir a shows, acompanhar jogos de futebol.
Seguindo essa premissa, devo confessar, sem o menor constrangimento, que fiquei com os olhos cheios de lágrimas na madrugada desta segunda-feira, quando vi três coroas entrando no palco do Kodak Theater, em Los Angeles. Os três coroas eram Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e George Lucas. Eles estavam lá para anunciar o vencedor do Oscar de Melhor Diretor.
Ora, muita gente sabe que três formam, com Martin Scorsese, o verdadeiro "quadrado mágico"; são os grandes responsáveis pela última época de ouro do cinema americano. Durante os anos 70, os quatro jovens amigos, então cabeludos, barbudos, mal vestidos e cheios de idéias, mudaram tudo em Hollywood e estabeleceram novos padrões de fantasia, violência, realismo, produção, direção e promoção no negócio de fazer filmes.
Ficava claro, naquele momento, que Martin Scorsese estava ganhando um Oscar, edepois de trinta anos batendo na trave. Muito bonito, muito justo. Mais justos e bonitos foram os aplausos de pé que a comunidade hollywoodiana proporcionou ruidosamente a Scorsese, que agradeceu em seu estilo inacreditavelmente rápido de falar.
Durante esse breve momento, estavam na frente dos meus olhos os criadores do melhor cinema dos últimos trinta anos. Em questão de segundos, fui de "O Poderoso Chefão" a "E.T.", de "Taxi Driver" a "Guera nas Estrelas", de "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" a "Apocalipse Now", de "Touro Indomável" a "A Lista de Schindler", de "Tubarão" a "Os Bons Companheiros", de "Os Caçadores da Arca Perdida" a "A Última Tentação de Cristo"... bom, já deu pra perceber que a brincadeira poderia continuar por muitas linhas. Tudo isso girava enquanto o baixinho Martin Scorsese era finalmente reconhecido como o Melhor Diretor.
Sei que tem gente que vai falar que "Hollywood premiou o filme americano, deixando o mexicano de ‘Babel’ de lado"; ou que "esse prêmio é um mea culpa da Academia por não ter premiado Scorsese em edições anteriores"... não importa. O que importa é que a justiça foi feita. "Os Infiltrados" é um grande filme, um dos grandes de Scorsese, é o melhor filme do ano e o Oscar se cansou de errar.
E este blogueiro sentiu-se, enfim, recompensado por ter ficado acordado até as 3 da manhã. A História aconteceu em um breve momento em Los Angeles.
Escrito por Ricardo Garrido às 19h03
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PREVISÕES PARA O OSCAR
Sem medo de queimar o filme, faço aqui minhas previsões para o Oscar. Não me acuse de previsível, o Oscar geralmente é previsível e a brincadeira, aqui, é tentar acertar os vencedores. UNCOOL afirma, com uns 70% de segurança, que os vencedores serão:
Filme: "Os Infiltrados"
Diretor: Martin Scorsese, "Os Infiltrados"
Ator: Forest Whitaker, "O Último Rei da Escócia"
Atriz: Helen Mirren, "A Rainha"
Ator Coadjuvante: Eddie Murphy, "Dreamgirls"
Atriz Coadjuvante: Jennifer Hudson, "Dreamgirls"
Roteiro Original: "Pequena Miss Sunshine"
Roteiro Adaptado: "Os Infiltrados"
Filme Estrangeiro: "O Labirinto do Fauno" (México)
Filme de Animação: "Carros"
E ficamos por aqui. Nas categorias chamadas "técnicas", eu apostaria (por gosto pessoal) na fotografia de "A Dália Negra", na direção de arte e na maquiagem de "O Labirinto do Fauno", no figurino de "Dreamgirls", na montagem de "Os Infiltrados", na trilha sonora classuda de "A Rainha".
Para melhor canção, "Dreamgirls" aparece indicada com três boas canções, mas o legal mesmo seria Melissa Etheridge ganhar com sua música engajada que fecha o documentário "Uma Verdade Inconveniente", aquele com Al Gore. Que, aliás, deve ganhar o Oscar de Documentário.
Façam suas apostas!
Escrito por Ricardo Garrido às 16h39
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A MARATONA DO OSCAR: COMO VER TODOS OS FILMES QUE IMPORTAM EM DOIS DIAS
O leitor de UNCOOL volta a ser brindado com o "Guia do Desespero". Ou seja, demos um jeito de encaixar os filmes mais indicados ao Oscar em uma programação possível de ser cumprida nos dois dias que faltam para a entrega de prêmios mais importante do cinema americano.
Como sempre, o Unibanco Arteplex (Shopping Frei Caneca) montou uma programação que proporciona uma seqüência não só possível, mas confortável. Quase perfeito. Faltou só um filme, mas a noite de sexta está aí para resolver. Para quem está empolgado, lá vai:
SEXTA-FEIRA – 23/02
Local: Shopping Eldorado 5 ou Market Place Cinemark 5, escolha o mais próximo...
22:10: "Os Infiltrados", indicado para Melhor Filme e preferido de UNCOOL. Merece ser visto sozinho.
SÁBADO – 24/02
Local: Shopping Frei Caneca – Unibanco Arteplex
13:00 às 15:00: "A Rainha", indicado para Melhor Filme e provável vencedor de Melhor Atriz.
15:00 às 16:00: pausa para o almoço.
16:00 às 18:00: "Pequena Miss Sunshine", indicado para Melhor Filme e engraçadíssimo!
18:00 às 19:00: pausa para concentração. O próximo é dureza, mas tem que ser visto.
19:00 às 21:30: "Babel", indicado para Melhor Filme e pesado, pesado, pesado.
21:40 às 00:00: "Dreamgirls", filme com maior número de indicações e provável vencedor de Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante. É o antídoto ideal para o peso de "Babel".
DOMINGO – 25/02
Local: Shooping Frei Caneca – Unibanco Arteplex
13:20 às 16:00: "Cartas de Iwo Jima", indicado para Melhor Filme, fortíssimo candidato. Clint Eastwood mantém-se no auge.
16:20 às 18:50: "Pecados Íntimos", com Kate Winslet em grande performance e indicada para Melhor Atriz. Ótimo roteiro, a ser comentado neste Blog.
19:00 às 21:00: "O Último Rei da Escócia", provável vencedor de Melhor Ator. Pesado.
22:00: começa o Oscar 2007. Assista pela TNT, pois a Globo prefere exibir o Big Brother e começará a transmissão do Oscar pela metade. Além disso, na TNT teremos a cerimônia traduzida e comentada pelo Rubens Ewald Filho, que é sempre o cara certo para decifrar quem é quem no meio do monte de velhinhos de smoking que foram grandes nomes do cinema.
Cumprindo a missão acima, você terá visto os prováveis vencedores das principais categorias. Faltou só "O Labirinto do Fauno", provável vencedor de Melhor Filme Estrangeiro e de algumas categorias técnicas. Fica para a semana... e fica a dica:
Para manter o ritmo durante a semana:
Local: Cine Bombril 1 (antigo Cine Arte, no Conjunto Nacional, Avenida Paulista):
19:30 às 21:30: "O Labirinto do Fauno", provável vencedor de Melhor Filme Estrangeiro e indicado em outras cinco categorias. Outro filme muito bom e surpreendente, a ser comentado.
É isso! Boa maratona!
Escrito por Ricardo Garrido às 13h26
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UNCOOL VÊ OS INDICADOS A MELHOR FILME - 2
"A Rainha", de Stephen Frears
Correndo por fora, A Rainha não é o filme mais inovador, nem o mais ágil, nem o mais simpático. A bem da verdade, Stephen Frears oferece uma narrativa convencional, quase morna. Mas conseguiu obter uma pequena e singela obra-prima. Sem qualquer receio, o roteiro põe palavras, opiniões e medos fictícios (ou no mínimo nascidos de pura especulação) em personagens conhecidos e contemporâneos. Assim, a rainha Elizabeth II e o primeiro-ministro britânico Tony Blair são exibidos como as duas mais bem acabadas figuras públicas do nosso tempo: a primeira, acostumada desde o nascimento com sua realeza e seu papel divino e inexorável de liderança de uma nação, aposta na discrição, no recato e na resignação que, acredita, dão segurança, tranqüilidade e estabilidade ao seu país, ao seu povo e, principalmente, ao seu regime. Sua lenda é maior do que sua presença. Já o segundo, ciente da sua origem e da sua condição de representante de um eleitorado liberal e faminto por mudanças, sabe que suas condições mínimas de trabalho dependem do quanto ele consegue se vender publicamente. Entrevistas, discursos, declarações, tudo é pensado e valorizado como os principais itens da construção de sua "marca".
Assistir a como esses dois personagens tratam um momento claro de crise – a morte da Princesa Diana – expõe, em última análise, duas escolas diferentes (e, ainda assim, complementares) do exercício do poder: de um lado, o pragmatismo midiático que entrega o que o eleitorado "pede"; do outro, o conservadorismo que trata o povo com a distância e a resignação que este "precisa" para se sentir seguro. A Rainha é uma aula de política, e ainda um ótimo drama humano. E abriga a melhor interpretação do ano, com Helen Mirren fazendo uma Rainha Elizabeth II que, como disse a Isabela Boscov na VEJA, faz a própria rainha parecer a imitação. Não vai levar a estatueta de melhor filme, mas é o preferido de UNCOOL, aquele que será certamente visto e revisto durante alguns anos.
O outro lado: Stephen Frears também dirigiu Alta Fidelidade, um filme mais "moderninho" e também muito bom. Naquele filme, a ambientação foi mudada da Londres original do livro de Nick Hornby para alguma cidade americana (Chicago ou Boston, não importa). Após A Rainha ter ido fundo na alma inglesa, pergunto-me por que diabos Frears não rodou Alta Fidelidade em Londres. Teria sido ainda melhor...
"Pequena Miss Sunshine", de Jonathan Dayton e Valerie Faris
Esta divertida e simpática crônica sobre a típica família white trash americana, medíocre e involuntariamente comprometida com os valores mais distorcidos e errados, conseguiu ganhar o público e a crítica. O maior mérito vai para o incrível elenco nele reunido: do pai que divide o mundo em "vencedores" e "perdedores", achando que o que diferencia um de outro é só a atitude, à pequena Olive, inocentemente obcecada por concursos de beleza, passando pela mãe tão bem intencionada quanto equivocada, pelo tio homossexual e suicida, pelo irmão adolescente em crise existencial e pelo avô ex-hippie e viciado em heroína, todos ganham vida através de ótimos atores, ótimas falas e tempos generosos e democraticamente distribuídos.
Ótima direção, roteiro engraçado e bem acabado, final feliz e engraçadíssimo. Mas falta alguma coisa para poder ser candidato a melhor filme do ano. Não sei qual é a tese que o filme quer provar. Se não há tese, pior ainda: todo esse verniz de filme independente e esse emaranhado de críticas aos valores americanos que acabam com a sanidade mental do cidadão médio... para quê? Ao fim da sessão, fiquei à procura de um sentido na coisa toda. Talvez o filme tenha sido mais certeiro ao atingir a alma americana do que eu consigo compreender (assim como, digamos, a novela Vale Tudo acertou o alvo quando falamos de Brasil na década de 80). Talvez não precisemos de um sentido geral, e a simples viagem da família até a Califórnia seja suficiente para fazer de Pequena Miss Sunshine um dos grandes filmes do ano. Mas não dá pra concorrer com os mais maduros Os Infiltrados, A Rainha ou Cartas de Iwo Jima.
O outro lado: o filme tem ganhado alguns prêmios. Pode ser a zebra do ano. O que seria até bacana, tão simpática que é a empreitada.
Escrito por Ricardo Garrido às 19h33
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UNCOOL VÊ OS INDICADOS A MELHOR FILME
"Babel" , de Alejandro González Iñárritu
O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu começou bem sua carreira com Amores Brutos, e emplacou sua estréia como realizador de Hollywood, 21 Gramas. Ambos os filmes tratam da perda e do acaso, servindo-se de roteiros fragmentados onde três personagens vivem histórias e dramas aparentemente paralelos – até que um acidente de carro as une. Tentando convencer a si mesmo e ao público que se trata de uma trilogia, Iñárritu lançou Babel sob grande alarde. Novamente, três histórias se desenvolvem e se complicam, unidas por um único momento, um acidente, uma bobagem, que toma proporções trágicas. Mas o problema desse terceiro filme é que, ao contrário dos dois primeiros, a tragédia pessoal e o acaso deixam de ser o foco, dando lugar a uma pretensiosa reflexão sobre, sei lá, a "desglobalização do mundo globalizado"... indo das montanhas marroquinas (com turistas americanos) à abastada Califórnia (com mexicanos ilegais), chegando a uma improvável Tóquio com uma adolescente surda-muda (japonesa), Babel tenta abraçar o mundo, força a barra no roteiro e deixou pelo menos este espectador de saco cheio. O dramalhão de Iñárritu funciona muito melhor quando não é pretensioso. Pode ganhar, mas que não é o melhor filme, ah, isso não é.
O outro lado: o elenco secundário é muito bom – tanto que duas de suas atrizes foram indicadas para o prêmio de atriz coadjuvante. Ponto para o diretor, que já havia feito ótimos trabalhos com Sean Penn, Naomi Watts, Benicio Del Toro e Gael García Bernal.
"Os Infiltrados" , de Martin Scorsese
Martin Scorsese é gênio. Ao lado de outros colegas barbudos e desleixados (Coppola, Spielberg, De Palma, George Lucas, Altman), mudou a cara do cinema americano durante a década de 70. Tornou-se o parceiro-mor de Robert DeNiro. Dirigiu Taxi Driver, Touro Indomável, O Rei da Comédia, A Cor do Dinheiro, A Última Tentação de Cristo, Os Bons Companheiros, Cabo do Medo, A Época da Inocência, Cassino. Conhecedor e amante do bom rock’n’roll, deu ao mundo Bob Dylan: No Direction Home e o genial documentário The Last Waltz , com a despedida da fiel escudeira de Dylan, The Band. Produziu uma série sobre blues sensacional. Dirigiu o video-clipe de Bad, do Michael Jackson. Enfim, sempre foi muito mais do que o "diretor por excelência de filmes de mafiosos", como é geralmente reduzido (ainda que em tom elogioso). Embora a violência seja um de seus grandes temas, o outro – indissociável – é a sensação de abandono, de falta de conexão com o mundo. Todos os filmes citados acima – incluindo os inúmeros DeNiros, o Jesus Cristo fictício vivido por William Dafoe e mesmo o Bob Dylan real em documentário – têm seus protagonistas enfrentando a falta de conexão com o mundo ou sofrendo o abandono de sua comunidade. A violência é mera conseqüência. Mesmo as últimas obras de Scorsese, como Gangues de Nova Iorque e O Aviador, tratam da relação entre essas duas questões.
Os Infiltrados as retoma em grande estilo, e com pelo menos meia dúzia de personagens antológicos, todos lidando com o abandono – da família, da gangue, da sociedade. Mesmo o experiente e paternal policial vivido por Martin Sheen vive o isolamento de comandar uma unidade quase secreta de policiais infiltrados no crime organizado de Boston. Seu braço direito, o sargento durão e boca-suja brilhantemente encarnado por Mark Wahlberg (indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante), está fadado a ficar sozinho em sua luta quixotesca (e o seu final, apoteótico, é a mais perfeita tradução de como Scorsese transforma abandono em violência). Leonardo DiCaprio e Matt Damon são os "infiltrados" do título em português, um instalado pela polícia no seio da principal quadrilha da cidade, o outro instalado pela tal quadrilha no seio da polícia de elite. Ambos convivem com a angústia de terem que se virar sozinhos. Jack Nicholson tem espaço para ser tão escroto quanto quiser, no papel do chefão mafioso Frank Costello. Ele também é solitário, cercado de paspalhos bajuladores, uma mulher loira que vive em outro mundo e sob suspeita de também fazer papel duplo.
O título original, The Departed, é muito mais apropriado. Um cartão de pêsames encontrado pelo personagem de DiCaprio em um enterro traz o título do filme e a frase que lhe serviria como epígrafe: "Heaven holds the faithful departed" ("O Céu abriga os mortos de fé", segundo as legendas). "Departed", no caso, é um eufemismo para "mortos". Ao pé da letra, seria traduzido como "afastados". Acredito que, no sentido pretendido por Scorsese, o cartão nos diz "o Céu abriga aqueles que foram deixados de lado". Ou seja, sinal verde para a violência.
Se Os Infiltrados não chega a ser tão bom quanto Taxi Driver, com certeza supera Cassino e O Aviador e se iguala a Os Bons Companheiros e Touro Indomável. É uma legítima obra-prima de Scorsese, o melhor filme do ano e só não ganhará o Oscar de melhor filme se a birra de Hollywood com o diretor nova-iorquino ultrapassar os limites do explicável. UNCOOL aposta suas fichas em The Departed.
O outro lado: dane-se o outro lado. O outro lado tem esnobado Scorsese há trinta anos.
Escrito por Ricardo Garrido às 13h36
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CURTINHAS DO OSCAR: MELHOR FILME
A categoria mais equilibrada deste ano é Melhor Filme. Simplesmente não há grande favorito. Muito se falava da dupla de filmes de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima, mas após o lançamento dos filmes a coisa arrefeceu e parece que Eastwood não vai ganhar sua terceira estatueta neste ano. Quanto a Os Infiltrados (provavelmente o melhor filme dos cinco indicados), sempre se fica na dúvida se Martin Scorsese será mais uma vez esnobado pela Academia. Nas últimas semanas, Pequena Miss Sunshine tem ganhado alguns prêmios e parece despontar como possível vencedor. Babel, com seu dramalhão globalizado, ganhou o Globo de Ouro e pode surpreender. A Rainha, por fim, elegante e convencional, corre por fora. Na seqüência, UNCOOL publicará comentários sobre os indicados a Melhor Filme.
Escrito por Ricardo Garrido às 13h00
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A Corrida do Oscar: ainda dá tempo!
Passamos o ano inteiro revirando nossas Vejinhas, nossos Guias da Folha, nossos Cadernos 2 atrás de um filminho decente para o final-de-semana. Daí chegam as semanas que antecedem o Oscar e simplesmente não conseguimos dar conta de tantos filmes interessantes, controversos e até "adultos". Com muito empenho, o aproveitamento intenso do Carnaval e com a ajuda da tecnologia BitTorrent, UNCOOL conseguiu dar conta da missão. Assisti a todos os principais concorrentes. Falarei de cada um deles. Prepare-se, durante os próximos dois dias você terá textos sobre os seguintes filmes:
- Os Infiltrados
- A Rainha
- Cartas de Iwo Jima
- A Conquista da Honra
- Pequena Miss Sunshine
- Babel
- Dream Girls
- Pecados Íntimos
- O Último Rei da Escócia
- O Labirinto do Fauno
- Uma Verdade Inconveniente
- Diamante de Sangue
- Volver
Se você não assistiu a algum (ou alguns) dos filmes acima, ainda dá tempo. Vale a pena. Temos bons e diferentes filmes, e não há nenhuma barbada. Às previsões e comentários!
Escrito por Ricardo Garrido às 12h01
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UNCOOL 2007: RENOVANDO OS VOTOS
No início de 2006, este Blog entrou no ar com o seguinte texto:
"Este é o primeiro blog sobre cultura pop sem qualquer comprometimento com as aparências. Bandas moderninhas, filmes alternativos, autores malditos, nada disso nos interessa. Este site não é "cool". Ao contrário, é "uncool". Nos lixamos para o "cool". Ignoramos o superficial e as aparências. O que importa é boa música, bons filmes, bom humor, bons textos. E boas conversas. E garotas (eventualmente, admitamos, nessa ordem).
Tal bandinha veio tocar no TIM Festival? Estreou o tal filme com edição nervosinha e montado de trás para a frente? Desculpe, ficamos com o surpreendente disco novo da velha banda de rock progressivo que continua na ativa. Ficamos com uma comédia honesta do Adam Sandler. Não queremos conversa com a vanguarda. Buscamos o verdadeiro, o ingênuo, o espontâneo. Queremos o mundo despido de cinismo. Quem gostar, ótimo. Quem não gostar, que se dane. Até nos divertimos com isso.
Apadrinham este blog: Bruce Springsteen, Cameron Crowe, Paul McCartney, Adam Sandler, Jonathan Coe, François Truffaut, Yes, Nick Hornby, Robert Redford, Van Halen, Rubem Fonseca e a Seleção Brasileira de 1982. E quem mais fizer as coisas do seu próprio jeito."
Aproveitando esta quarta-feira de Cinzas, na semana em que o livro novo do Jonathan Coe chega às lojas, no momento em que David Lee Roth acaba de voltar para o Van Halen, às vésperas da entrega do Oscar – ou seja, as salas de cinema de São Paulo lotadas não só de gente, mas de filmes bons –, enfim, aproveitando que as coisas estão acontecendo e que o mundo ainda consegue se mostrar interessante, renovo os votos de UNCOOL. Cultura Pop sem Frescura.
E, sem frescura, peço desculpas pelo tempo inativo e passo imediatamente às previsões e aos comentários sobre os filmes e a entrega do Oscar. É agora, próximo domingo, dia 25 de fevereiro. O tempo urge e UNCOOL quer, precisa, anseia por despejar seus comentários sobre os principais concorrentes. Seja bem-vindo.
Escrito por Ricardo Garrido às 18h17
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